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Quem fala o quê

Na unidade sobre imaginação do livro de composição de textos do meu filho, nos deparamos com um texto escrito por uma menina de 11 anos que se colocava no lugar de sua mãe e descrevia sua rotina e opiniões. Logo me veio à mente a expressão inglesa ‘be in someone’s shoes’. Literalmente, a expressão significa ‘estar nos sapatos de outrem’, ou seja, se colocar na lugar de outra pessoa quando na resolução de um problema ou numa tomada de decisões, por exemplo. Com ela na cabeça, pensei na seguinte brincadeira.

Pares de sapatos a postos!

Pares de sapatos a postos!

Arrumei vários pares de sapatos de todos os membros da família no chão e expliquei a referida expressão. Então, pedi para que as crianças calçassem o par de sapatos de quem costuma repetir certas frases em circunstâncias comuns da nossa vida familiar. Por exemplo, dentro da situação-contexto “Você derrubou o copo de suco na hora do almoço”, perguntei para minha filha quem costuma proferir ‘Atenção! Não viu o copo na sua frente?’ e ela rapidamente calçou os sapatos do pai. Para meu filho perguntei quem normalmente avisa ‘Ish! Mamãe vai ficar chateada.’ e ele prontamente vestiu as chinelas da irmã.

Pequena nos sapatos do pai

Pequena nos sapatos do pai

Pequena se sentindo como a própria mãe!

Pequena se sentindo como a própria mãe!

Seguimos nessa dinâmica por um tempo, com mais 4 situações. Eu dava o contexto e as frases, e eles calçavam os sapatos do provável dono da exclamação. Depois, variamos um pouco a brincadeira: agora, eles começaram escolhendo um par de sapatos qualquer; em seguida, eu dava novas situações, como a preparação para uma saída ou durante o percurso de carro para a igreja; e então, eles (e não mais eu) surgiam com as frases que geralmente saem dos lábios dos donos dos sapatos que vestiam.

Trocando de sapatos...

Trocando de sapatos…

Eis um exemplo. As crianças se calçaram e eu dei a seguinte situação: “Papai chegou, mas está sem a chave de casa.” Aquele que vestia os sapatos do pai logo falou “Ôô de casa!”. Depois, a que vestia meus sapatos falou “Já vai, amor!”. Veio outra, a que vestia o par de sapatos do mais velho, e falou “Não tô achando as chaves.” E, finalmente, a que tinha escolhido o par de sapatos do de 1 ano e meio falou “Pa-pai. Pa-pai.” Nessa hora, todos riram, é claro.

...e de identidades!

…e de identidades!

Daí, meu filho e eu seguimos para o texto do livro e ele, sem a menor dificuldade, compreendeu que aquelas linhas não tinham sido escritas pela mãe, mas pela filha se passando por sua mãe.

Importância e uso dos documentos

Todo livro didático para crianças na faixa de 3 a 7 anos começa tratando de identidade, nome, família e documentos. No livro de História do meu filho, esse último assunto se restringia a um pequeno texto sobre registro, uma atividade que pedia para circular imagens de documentos que eles possuíam (dentre 4 opções) e a confecção de um RG já providenciado no fim do livro. Nada mais.

Tipos de documentos

Decidi expandir o assunto: falar dos documentos, seus usos e importância. Iniciei mostrando todos os meus documentos, os mencionados no livro e outros não-mencionados (e.g.: certidão de casamento, titulo de eleitor, carteira do plano de saúde, etc). Enquanto eles manuseavam os documentos, eu ia dizendo para quê eles serviam. Eles riram das fotos, perceberam que alguns já eram antigos, pois estavam amarelados e meio rasgados, e observaram que eu tinha muito mais documentos que eles…

Depois desse momento, pedi que eles indicassem os documentos necessários para apresentação em algumas situações. Por exemplo: Estamos no aeroporto. Viajaremos para Portugal. Que documento precisaremos apresentar? Outras situações foram:

  • Estamos indo para a casa da vovó de carro. Há uma blitz na rua. Que documento papai precisa ter?
  • O bebê vai tomar vacina hoje à tarde. Qual documento precisamos levar?
  • Vamos a uma consulta médica. Que documento a secretária/recepcionista vai pedir?
  • É dia de eleição e vocês vão ajudar mamãe a votar. Que documento precisamos levar?

Simulei os ambientes usando móveis, objetos e adereços, como cadeiras, mesas, computador, uniformes, cones, apito, urna, caixa registradora, etc. Eles assumiam os papeis de quem deveriam apresentar os documentos e eu de quem os pedia. Foi bem legal.